segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O abraço...


E de repente aquela sensação tomou conta da minha existência...
Sentia como todo aquele tempo de espera
Todo aquele escuro que vivi na vontade de estar junto, na necessidade de um carinho, dela.
Senti aquela força toda que fiz pra não sofrer com a saudade desaparecer naquele momento...
E tudo era ela... tudo era eu... tudo éramos nós... um único existir.

Senti sua respiração como um suave toque de ar no meu pescoço...
Senti com meus lábios o calor da sua pele num dia lindo de verão...
Senti suas costas... desenho perfeito, decorado pelos meus olhos... meus dedos...
E estive ali... incapaz de querer algo mais que não fosse isso.

O Sol brilhava e o dia era lindo, uma conspiração divina
Com o cheiro da primavera com o do seu cabelo, que eu bem sei.
Naquela roda viva, onde te ter ali era um amanhecer do sol no mar de verão...
Era ver uma lua cheia linda... era brincar com plânctons brilhantes n’água numa noite escura...
E sentir a vida mais forte que nunca em mim,
Mas se isso fosse um sonho... como seria acordar se não fosse verdade?
E que bom que não era... que bom que não era...

Guará Cabrera

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sexta-feira, 9 de julho de 2010

O véu



Parte 1
todo aquele torpor se desfaz...
o véu branco transparente, tão sutil que só...
se desfez feito pó..
deixa marcas... deixa confuso aquele que o usa... aquele que o quer...

ao se desfazer o véu levou consigo a beleza que nele estava contido...
um sorriso de menino do rosto de um homem...
leva o que era ventania feroz àquela estranha calma
antes que o mundo desabe...

os sorrisos e os carinhos se rompem
 como uma imagem no espelho quebrando...
aqueles cacos no chão...
e nos pedaços deformes...
tua imagem e semelhança...

o véu.... branco e sutil...
que agora jaz inerte...
e os cacos agora ali...
e o nada...


tudo se resume em  nada...
ou o nada na vontade de ir...
e não voltar...
como tantas vezes o caminhante fez...


Partes 2

“Quero por que quero aquela que me fez um dia sorrir...
 aquele sorriso que um dia calmo de verão tanta coisa me traz a cabeça...
longe de tudo que um dia imaginei viver...”
ao despertar ele vai... longe caminha...

Nessa melancólica caminhada ele assiste à tudo que passou nos últimos ciclos...
e vê... o véu se formar onde estava o sorriso...
vê o véu projetar aquele sorriso longe...
e vê o véu secando-o 
deixando-o sem entender...

aquele confuso véu... lindo...  se desfez em pó ao vento...
mesmo vento que o caminhante sempre sente sentiu quando era hora de partir...


Parte 3
o véu... suave havia lhe encantado...
o havia feito  abandonar a estrada...
decidir por estar ali... apaixonado...
vivendo a ternura de simplesmente estar...

Aqueles rostos que longe sempre o acompanharam
sempre disseram tudo que por dizer estava...
e o caminhante, tonto, entusiasmado, não o ouviu....

O véu feito navalha
De amor, sutil e afiado
o cobre de vez...
rasga-lhe o peito
corta-lhe a alma.
Suga-lhe o sangue
E no momento final de sua existência...
Diz que lhe ama.


Guara Cabrera

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sábado, 3 de julho de 2010

Ensaio



Risco um rabisco, arrisco
De fato não escrevo,
Penso, não faço.
Traço um retrato,
mal que mal não digo.

Foco o abstrato que já nem vejo,
Sinto incerto, algo percebo
E transformo tudo
Do lado certo
do avesso!

Faço do foco traço
Do risco um retrato
O abstrato não penso
E o risco travesso
Virado do avesso
Faz de tudo mais bonito.

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quinta-feira, 10 de junho de 2010

Foda se



Foda, se o mundo inteiro estiver chapado
Foda-se... pra mó de sair e curtir
Vou rir da cara do porteiro,
Aderir-me aquela fome mundial

Foda, será ver tudo em slow motion
Fodam-se as pessoas
se abraçando e rindo sozinhas
eu quero mais do que agora.

Eu quero mais do que tudo...
Que foda, se o mundo.
Por um quarto de segundo
Deixa-se de ser...
Fodido.

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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Retrato da Dúvida e da Certeza

Canto, danço, brinco
Desajeitado
De qualquer jeito

Somo aflito
e multiplico
o pouco que restou do dividendo,
e esqueço.

Paro e encaro
encantado
pela dúvida que se fez
Me perco, me acho.

Pulo depois de outrora cabisbaixo
E percebendo a falta de tato,
Começo Tudo outra vez...


Guará Cabrera

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Vamos fazer uma revolução - Guará Cabrera
Discussão poética - Tatá Freitas

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quarta-feira, 31 de março de 2010

Lembranças de outra terra


Passo por postes, alguns conhecidos e amigos,
Despeço-me deles e de suas estampas intimas,
Olho, com paixão carnal, as flores do caminho,
Que devem sofrer também a minha partida!

Junto os papeis e os jornais velhos, que já não via há meses,
E que se perderiam no tempo, não fosse o sofrer do abandono,
A ânsia de juntar a minha historia nesse pedaço de terra...
“As fotos do tempo de escola, os amores rascunhados em papeis de pão”.

Formo meu quebra-cabeça, e perco-me nas horas
Como um moribundo, estendo minha mão a tatear os muros e os portões...
E me divirto na dedução que o estalar de meus dedos, altissonantes, criam
Paro a olhar “margarida”, e seus galhos, que como braços, carregaram-me na infância...

Deixei para trás dias que, agora, só poderei reviver no silencio
A saudade da cidade, e de seus buracos, e de cada gota d’água
Despedi-me de tudo, e ainda mais:
Esqueci a pena de minhas frustrações, e dos pilares que me arrastavam a elas

E ficou toda a casualidade dos dias estirados, sem razão de ser, tão amáveis
Os poemas diversos, que desenhei com o ar dessa terra
Os olhos nativos que me levaram ao delírio da paixão
O cheiro salgado que acordava a manhã

E agora já não posso voltar, é a maré que me conduz...


Tatá Freitas



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Despedida - Guará Cabrera 
Discussão poética  - Tatá Freitas

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quinta-feira, 18 de março de 2010

Do que não se vê

Sei o que sinto...
Mas o que faço já não sei...
Busco sentido naquilo que não tem...
Razão sem mesmo ter porque.

Quando é a noite que me vejo só...
Quando é dia que não te vejo ali...
Talvez seja minha mentira...
Outrora minha verdade...

Aqui, secando por dentro...
Ali, brincando lá fora...
Se fosse pela minha vontade...
Talvez aqui, nesse momento
Tu, e mais nada me bastasse.

Guará Cabrera

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Discussão poética - Tatá Freitas

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Guara Cabrera

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Tatá Freitas

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