quarta-feira, 31 de março de 2010

Lembranças de outra terra


Passo por postes, alguns conhecidos e amigos,
Despeço-me deles e de suas estampas intimas,
Olho, com paixão carnal, as flores do caminho,
Que devem sofrer também a minha partida!

Junto os papeis e os jornais velhos, que já não via há meses,
E que se perderiam no tempo, não fosse o sofrer do abandono,
A ânsia de juntar a minha historia nesse pedaço de terra...
“As fotos do tempo de escola, os amores rascunhados em papeis de pão”.

Formo meu quebra-cabeça, e perco-me nas horas
Como um moribundo, estendo minha mão a tatear os muros e os portões...
E me divirto na dedução que o estalar de meus dedos, altissonantes, criam
Paro a olhar “margarida”, e seus galhos, que como braços, carregaram-me na infância...

Deixei para trás dias que, agora, só poderei reviver no silencio
A saudade da cidade, e de seus buracos, e de cada gota d’água
Despedi-me de tudo, e ainda mais:
Esqueci a pena de minhas frustrações, e dos pilares que me arrastavam a elas

E ficou toda a casualidade dos dias estirados, sem razão de ser, tão amáveis
Os poemas diversos, que desenhei com o ar dessa terra
Os olhos nativos que me levaram ao delírio da paixão
O cheiro salgado que acordava a manhã

E agora já não posso voltar, é a maré que me conduz...


Tatá Freitas



Leia mais textos do Prosopopéia:

Despedida - Guará Cabrera 
Discussão poética  - Tatá Freitas

52 comentários:

Admin Futebobeiras 31 de março de 2010 11:12  

"E agora já não posso voltar, é a maré que me conduz..."

mt lindo o texto, me identifiquei muito.
parabéns pelo talento e pelo blog.
vou seguir aqui ok?

www.futebobeiras.blogspot.com
siga e comente sempre que puder.
cada comentário lá é um aqui ;D

Macaco Pipi 2 de abril de 2010 09:52  

NOSSA
QUE DESCOBERTA DE UM NOVO MUNDO!!

Luciana Paraiso 2 de abril de 2010 09:54  

Despedidas são sempre dolorosas, até quando pensamos que não será, pois trata-se de mudança, de renovação... nossa cérebro está condicionado a estar no mesmo lugar, seja fpisico, emocional, espiritual ou qualquer outro.... mas enfim...
Amei seu texto, parabéns!

http://luparaiso.blogspot.com/

Marcela 2 de abril de 2010 10:01  

É a maré que me conduz, é o sopro que me leva a bons ventos...
E a cada caminho uma descoberta, ficar ou partir? Lembranças, meras e eternas lembranças...

http://memoriaspsicodelicas.blogspot.com

Lunaticools 2 de abril de 2010 11:32  

Mudar é preciso, mas sempre sentiremos saudades das cidades e pessoas que deixamos, até mesmo de seus piores defeitos.

abç
Cidadão das nuvens

Roberta Veloso 2 de abril de 2010 12:09  

Lindo! Me identifiquei muito com seu texto!
Você escreve muito bem! Parabéns...

Estou te seguindo, dá uma olhadinha no meu blog ;D

http://strogonoffcommorangos.blogspot.com/

Jean Leal 2 de abril de 2010 12:19  

Gostei dos teus escritos.São muito bons!Continue assim!
Abraço

Leonardo 2 de abril de 2010 12:40  

Bom texto mas achei um pouco deprê!!!

A melhor frase concerteza "E agora já não posso voltar, é a maré que me conduz"

C & I 2 de abril de 2010 12:42  

Posha sem palavras,fazia tempo que não lia algo assim. otimo texto

Esqueci a pena de minhas frustrações, e dos pilares que me arrastavam a elas

otimo mesmo

vou seguir

Esqueci a pena de minhas frustrações, e dos pilares que me arrastavam a elas

Daniel Silva 27 de abril de 2010 19:00  

não é o tipo de blog que eu gosto, mas achei o cabeçalho lindo!

Tayná 27 de abril de 2010 19:02  

Parabéns mt bom o seu texto..

Essa última frase é foda!!

Marcela 27 de abril de 2010 19:03  

aguardo ansiosa pelo próximo post.

http://memoriaspsicodelicas.blogspot.com

mulherices 27 de abril de 2010 19:18  

E aí - por mero acidente - a gente se depara com gente talentosa.
.
Não sei se você queria atingir o mundo, mas atingiu alguém. Parabéns.

L.A 27 de abril de 2010 19:45  

o seu texto realmente me emocionou! muito bom mesmo!
parabens e sucesso pra voce

NeRsO 27 de abril de 2010 19:51  

Parabéns eim! este tem futuro!
Muita sensibilidade...



http://rabiscandohumor.blogspot.com/

Macaco Pipi 27 de abril de 2010 19:56  

as vezes é melhor esquecer

Igor Gonçalves 27 de abril de 2010 20:50  

a maré que te conduz há de te levar para um lugar melhor. Talvez sempre seja assim.

Achei foda seu texto cara, curti mesmo. Eu tenho um blog parecido com o seu, se quiser passe lá...

http://youngmodernstation.blogspot.com/

e parabéns, eu li uns três poemas seus e achei suas palavras bem legais.

Aprendi bastante com alguns...

Abraço !

Biny 27 de abril de 2010 20:54  

"Deixei para trás dias que, agora, só poderei reviver no silencio"

;D
adorei

F., Manoela 27 de abril de 2010 21:15  

é, se juntássemos todas as lembranças que nos compuseram, a vergonha coraria a face instantaneamente. são todas elas muito maiores do que aquilo que fizemos a vida inteira.

J. 28 de abril de 2010 21:07  

Bem escrito. Bonito visual.

Eduardo 28 de abril de 2010 21:09  

"Um ensaio sobre idéias..."

Gostei...!!! :)

Algo em comum com meu "blog"...

gAng 28 de abril de 2010 21:09  

"E agora já não posso voltar, é a maré que me conduz..."

muito bom *_*

Érica 28 de abril de 2010 21:15  

Outra terra, outro mundo, outra vida... seu texto expressa muito. Adorei a forma como escreve, assim como o visual do blog. Muito lindo!

Jean Leal 28 de abril de 2010 21:21  

Hm
Bons escritos encontrei por aqui!
Continue assim!Levas jeito!
Abraço

Renan 28 de abril de 2010 21:47  

simplesmente elegante e demais.
ótimo blog!

Wellington Holanda 28 de abril de 2010 22:45  

Lendo o seu poema, eu tive recordações da minha infância, das lembranças.
Que fantástico.
Sinceramente, adorei a sua forma de escrever, de ditar as palavras.

@ProjetoKraft - twitter

Esther cyrraia 28 de abril de 2010 23:43  

"Paro a olhar “margarida”, e seus galhos, que como braços, carregaram-me na infância..." Que força vc deu ao eu lírico!! lindo, lindo e flui...
parabéns, pelas palavras e pelo seu espaço muito estético.

sucesso!!

Felipe Augusto. 29 de abril de 2010 00:02  

Nossa, muito bom o texto, gostei!

Ana Beatriz 29 de abril de 2010 11:48  

Magnífico!
Fluiu perfeitamente bem, com naturalidade e elegância nas palavras. Adorei, adorei :)

Karla Hack 2 de maio de 2010 16:39  

Parece que seu espírito realmente estva envolto nas memórias de um outro ponto, uma outra terra...
Linda a profundidade e suavidade de seus versos, que seguriam e fluíram... Puro encanto!
Parabéns!

joão victor borges 2 de maio de 2010 16:46  

bela demonstração de saudade
lindo texto!

http://anpulheta.blogspot.com

Eduardo Andrade 2 de maio de 2010 17:01  

campanha para novos "bons" escritores, não deixe com que os rabiscadores sumam, POR FAVOR, continue assim

Lucas Meloni ** 2 de maio de 2010 17:21  

Direto, com boa história, palavras bem escolhidas. O texto me agradou muito, parabéns!

amanda *.* 2 de maio de 2010 17:29  

adorei *-* muito legal mesmo. hihi

Cayo Nauan Siqueira 2 de maio de 2010 17:32  

Vi esse texto virar um filmezinho, escreves muito bem!!

Karla Hack 3 de maio de 2010 19:40  

Texto repleto de sentimento e sinceridade consigo...
Me identifiquei com vários trechos... Fiquei encantada!

Vestibulando 13 de maio de 2010 07:59  

Parabéns pelo blog.Comentando neste post, pois já havia comentado no de cima

Abs
MaisEstudo

Luiz Brisa 16 de maio de 2010 19:31  

as vezes eh melhor deixa p/ la
^^

http://vagalnerdkawai.blogspot.com/

Thamyzinha Iwasaki 31 de maio de 2010 09:28  

nossa a beleza da lembrança do passado junto com a descoberta de um mundo totalmente novo^_^

gostei muito do seu texto^_^

xau

seuvicio 31 de maio de 2010 10:00  

É de chorar no caderno.

mayanne 31 de maio de 2010 10:02  

Texto nostalgico *-*

adorei seu blog ;*

Jhonny 31 de maio de 2010 10:04  

Muito bom o seu texto...gostei bastante e me identifiquei. Parabéns pelo blog. Abraço.

MR 31 de maio de 2010 10:34  

Muito legal esse blog!

Deane Castro 31 de maio de 2010 10:43  

Lindo texto, nostálgico. Senti como um deja vú
Parabéns!

Abraço e até mais

Eu Amo Cães... 7 de junho de 2010 10:43  

Parabéns pelo seu blog e por seu maravilhoso texto. Blogs com textos assim são um verdadeiro enriquecimento literário para o mundo.

Marido Sanduíche 7 de junho de 2010 13:24  

Vocês tem o dom das palafra, parabéns pdelo texto.

kbritovb 9 de junho de 2010 10:05  

até que gostei
num é mto meu estlo mas gostei

Pobre esponja 29 de junho de 2010 10:36  

É o tipo de poesia que deve ser apreciada lentamente. Òtimo texto. Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar (e a net, lol!)

bj
Pobre Esponja

Guara Cabrera

....

Tatá Freitas

...

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